Joana Vasconcelos. Transfiguración
29/05/2026>27/09/2026

No final do mês de maio, o Museu Picasso Málaga apresenta Joana Vasconcelos. Transfiguración (29 de maio a 27 de setembro de 2026), uma exposição que destaca a transfiguração como o cerne da obra desta artista, aludindo à forma como Joana Vasconcelos transforma e reinterpreta diferentes aspetos da realidade.

A exposição reúne uma seleção de peças que traçam a sua carreira, desde trabalhos do final da década de 1990 até criações mais recentes, oferecendo uma nova perspetiva sobre a sua evolução artística. Através de esculturas e instalações monumentais, Vasconcelos explora a relação entre as tradições portuguesas e a arte contemporânea, transformando materiais do quotidiano – como têxteis, cerâmica e azulejos – em peças que celebram o património cultural e a identidade coletiva a partir de uma perspetiva crítica e transformadora.

Entre as instituições que emprestaram as obras estão a Fundação Louis Vuitton Paris para a Criação, o Museu de Arte Contemporânea de Castela e Leão (MUSAC), o Museu Estremenho e Ibero-americano de Arte Contemporânea (MEIAC), a Coleção Berardo, a Coleção de Arte da Fundação EDP / Coleção Pedro Cabrita Reis e obras do Atelier da artista.

A exposição, com curadoria de Miguel López-Remiro, diretor artístico do Museu Picasso Málaga, reforça o compromisso do museu com a colaboração internacional e a apresentação de projetos únicos no campo da arte contemporânea.

A exposição de Vasconcelos no Museu Picasso de Málaga intitula-se Transfiguración porque esta palavra designa precisamente o que acontece quando os têxteis se tornam arquitetura, quando o ornamental se torna estrutural, o objeto do quotidiano num dispositivo crítico, a casa num palco público e o museu num espaço de experiência, e não apenas de conservação. Numa época que tende a reduzir a crítica à austeridade ou ao distanciamento irónico, Vasconcelos propõe um caminho mais complexo: uma subversão nascida da alegria, uma monumentalidade suave, uma ética da criação partilhada, uma política da experiência. Na sua obra, cada transfiguração é uma forma de olhar novamente, de desacelerar o óbvio, de tornar o familiar estranho, o monumental habitável. Com cada gesto, Vasconcelos convida o visitante a percorrer o âmago de questões que não buscam uma resposta, mas sim múltiplas interpretações, uma transformação da perceção.
Miguel López-Remiro Forcada, Diretor artístico do Museu Picasso Málaga e curador