Valquíria Mumbet integra a série Valquírias, iniciada em 2004, inspirada nas poderosas figuras femininas da mitologia nórdica que sobrevoam os campos de batalha em cavalos alados e conduzem os mais bravos guerreiros de volta à vida para servirem os deuses. Na continuidade das Valquírias concebidas especialmente para o Palácio de Versalhes, o Le Bon Marché de Paris e o Museu Guggenheim Bilbao, Joana Vasconcelos presta agora homenagem a Elizabeth Freeman, colocando-a ao lado de outras figuras marcantes da história do feminismo.
A 22 de fevereiro de 2020, Joana Vasconcelos apresentou Valquíria Mumbet, uma obra concebida especificamente para o no MassArt Art Museum (MAAM), no âmbito daquela que foi a sua primeira exposição individualnum museu dos Estados Unidos. Valquíria Mumbet presta tributo a Elizabeth “Mumbet” Freeman, uma mulher afro-americana escravizada que foi a primeira pessoa a vencer uma ação judicial pela liberdade com base na recém-adotada Constituição do Estado de Massachusetts, a qual declarava que «todos os homens nascem livres e iguais, e possuem determinados direitos naturais, essenciais e inalienáveis…», em 1781. As referências a Elizabeth Freeman manifestam-se nos elementos têxteis da obra, evocando os tecidos que lhe pertenciam — sedas, veludos e linho —, bem como nas contas inspiradas no seu colar dourado. Joana Vasconcelos incorpora igualmente tecido capulana, proveniente de Moçambique, antiga colónia portuguesa, chamando a atenção para o papel de Portugal no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Outras referências ao universo cultural português incluem elementos do artesanato tradicional, como a renda do Pico, particularmente familiar à comunidade açoriana residente na Nova Inglaterra. A artista concebeu meticulosamente esta escultura têxtil para ser suspensa do teto, com cerca de 11 metros de altura, da Stephen D. Paine Gallery, no MAAM.



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