"Joana Vasconcelos é apontada como a mais relevante jovem artista portuguesa da atualidade. Ativa nos domínios da escultura e da instalação, insere-se no grupo de artistas portugueses dos anos 90. Participa na 51ª Bienal de Veneza com uma das suas obras recentes mais representativas, A Noiva, 2001. Um grande lustre composto por 14.000 tampões, adaptado ao espaço da Bienal, acolhe o visitante com a sua ostentação e com a delicadeza dos seus pormenores.
Joana Vasconcelos pode ser considerada uma descendente da poética de Pedro Cabrita Reis, porém, Joana coloca a tónica na utilização de objetos do quotidiano enquanto materiais nas suas obras. Os assuntos que identificamos na sua obra remetem para a sua identidade enquanto jovem mulher artista, fazendo referência à moda, beleza, têxteis, tradição, bem como outros temas de natureza cultural e social. O carácter lúdico das suas obras e a sua abordagem a temas femininos aproximam-na dos objectos de design e de moda que, presumivelmente, têm uma relação com o novo contexto em que se inserem. Muitos destes objectos passam do particular ao universal e vice-versa, o que significa que a sua memória pode estar carregada de tradição, de identidade social ou cultural, ou jogar com ambas.
Joana Vasconcelos tornou-se, assim, recentemente, numa artista para quem o aspeto estético da sua obra é tão importante como o aspeto comunicativo, sendo o público e a sua abordagem à obra também muito importantes. Este contexto mostra como a artista tem vindo a participar em diferentes projectos e propostas site specific para lugares e contextos espaciais claramente determinados."
Agustín Pérez Rubio, 'ALWAYS A LITTLE FURTHER', 51.international art exhibition La biennale di Venezia, Marsilio Editori, 2005