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Morgado, 2009
Faiança Rafael Bordalo Pinheiro pintada a óleo, croché em algodão feito à mão

45 x 41,5 x 42,5 cm

Cortesia Haunch of Venison, Londres

O conjunto de obras em cerâmica e croché inscreve-se na série de trabalhos desenvolvidos a partir de um núcleo restrito de faianças desenhadas por Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905); unanimemente posicionado entre os mais destacados artistas portugueses do século XIX. A apropriação de Joana Vasconcelos, no quadro da vasta produção cerâmica de Bordalo Pinheiro, inclui apenas a representação naturalista de animais - alguns deles sobredimensionados -, cuja proximidade com o Homem é capaz de gerar desconforto, receio ou medo. Vespas; sardões e cobras; caranguejos e lagostas; sapos; cabeças de touro, burro e cavalo; lobos; ou até mesmo gatos em pose agressiva são ambiguamente aprisionados/protegidos por uma segunda pele em croché, produzindo um discurso apto a renovar os fluxos de significação associados às habituais relações entre cultura popular/cultura erudita e tradição/modernidade. A aplicação do croché num paradoxal aprisionamento/proteção dos animais, assim remetidos ao contexto doméstico, abre um vasto campo de leitura despertado pela beleza e estranheza que o resultado da operação produz.

2010 Contemporary Eye: Crossovers, Pallant House, Chichester


2010 I Will Survive, Haunch of Venison, Londres


2009 Bichos, Centro Cultural São Lourenço, Almancil


LIPOVETSKY, Gilles,et al - Joana Vasconcelos. Porto: Livraria Fernando Machado, 2011.


SILVA, Paulo Cunha e - Joana Vasconcelos. S. Mamede do Coronado: Bial, 2009.